Casas Senhoriais Portuguesas

Em Portugal o Feudalismo terminou com o acto da sua independência, no princípio do século XII, e qualquer tentativa no sentido de o restaurar por parte da nobreza, foi prontamente eliminada pelos nossos reis.
O desejo de autonomia do país, em relação aos reinos da Galiza, Leão e Castela e, depois, o período das descobertas e conquistas ultramarinas e a sua manutenção, fizeram com que toda a população, e duma forma geral as suas elites, ou seja a nobreza, estivessem ocupadas no “Serviço” do rei.
Não havia, pois, motivos para que os nobres fortificassem as suas casas, o que, aliás, lhes era vedado pela legislação do reino, tendo por vezes assistido à demolição, imposta pelo rei, das torres que abusivamente tinham construído.
Seja-me agora permitido transcrever aqui o que disse, no 1.º volume de “Casas Senhoriais Portuguesas”, sobre a evolução destas casas.

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Exposição “A Casa Limiana”

Casas de Aldeia
Casas de aldeia é uma designação genérica que abrange todas as casas, que não estando na vila, também não são das de mais rude construção, nem tão pouco entram no número de casas nobres.
São casas de construção cuidada, denunciando um certo nível económico de quem as mandou construir. Adivinha-se que nestas casas haverá já certas comodidades interiores, e uma afirmação de desejo de boa apresentação.
Para estas casas não podemos achar um tipo, ou qualquer pormenor que as mostre muito aparentadas.
Têm sempre um andar, além de térreo, e apresentam-se caiadas e rebocadas.
É notório o esforço para as alindar, por meio de elementos vegetais – tufos de verdura junto às paredes, trepadeiras envolventes, – ou pelo uso de faixas de cor. Estas são especialmente decorativas, quando, em cinzento-escuro, fazem esquadria aos panos de parede ou então envolvem as janelas mais ricas.
Há nestas casas algumas lindíssimas. Continue reading

A Arquitectura dos Solares

A arquitectura dos solares que actualmente se conhecem resulta da convergência de três grandes influências:
A arquitectura popular tradicional, a arquitectura militar medieval e a arquitectura erudita do renascimento, sobretudo através das elaborações tardias de Sérlio e de Palládio.
1.Da arquitectura popular os solares adoptaram, especialmente no caso dos mais antigos, a simplicidade da compartimentação (cozinha, sala, varanda, com escada de acesso, quando não se aproveitava a entrada em plano, por adossamento a um cômoro), a colocação no rés-do-chão das lojas destinadas ao armazenamento de vários artigos e, inicialmente, à recolha do próprio gado, e, no andar nobre, das salas e dos quartos de dormir, das galerias voltadas ao sol, herdeiras das varandas e alpendres destinadas aos acessos a outros compartimentos e à secagem de cereais e da roupa. Alguns solares não passam de modestas casas rurais, que se distinguem das outras por terem um brasão, uma capela ou até um portal diferente.

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